terça-feira, 20 de março de 2012

OUTONO

Ora! Não é que estamos novamente no outono? Nem percebi o passar das outras estações! Mentira. Senti passar o verão. Não me sinto bem no calor excessivo. Estou aliviada em recepcionar mais um outono. Para não me repetir, vou acrescentar aqui uma crônica que escrevi há um ano atrás sobre esta estação. A seguir, acrescentarei a visão do poeta Robert Frost (muito amado) sobre o tema. Claro que não poderia faltar a parte do outono contida na obra de Vivaldi (também muito amado) "As estações". Esta última, trouxe através do youtube.



OUTONO OUTRA VEZ




    Nasci no outono. Esta é a razão por que conto minha idade pelos outonos vividos e não pelas primaveras, como a maioria das pessoas. Não é pessimismo. Nem assim deveria ser interpretado já que o outono é uma estação lindíssima.

    É freqüente (desculpem. Meu computador não se conforma com a perda do trema. Eu também não) a associação entre as estações do ano e o decorrer da vida de cada um.  Nesse sentido, a primavera corresponde à infância e à adolescência quando, de fato, as pessoas desabrocham para a vida. Não estão prontas ainda. São como pequenos botões prestes a se abrir em flor. Prosseguindo o raciocínio, o verão corresponde à idade adulta quando tudo é demais. O calor é demais; a intensidade da chuva é demais; a alegria é demais; o trabalho é demais; a paixão é demais.

    Perceberam a pausa antes do outono? Até mudei o parágrafo. E não o fiz apenas porque o anterior estava ficando muito longo.  O verão nos atordoa tanto que custamos a nos dar conta de que ele acabou. Por fim, percebemos aos poucos. Já não faz tanto calor. As folhas das árvores começam a cair. Uma paisagem dourada se estabelece por conta da tonalidade das folhas. Robert Frost, conhecido poeta americano tem um poema em que afirma “nada que é dourado se prolonga”. Também Verlaine se manifestou sobre a beleza e a efemeridade do outono. Não é que seja mais curto literalmente. Prolonga-se por três meses, como os outros. Entretanto, só o percebemos como estágio de vida quando já se aproxima a próxima estação. E sobre esta falaremos em seguida.

    E chega o inverno. E com ele o frio. Dependendo da posição geográfica, também a neve. Não chegamos a tanto por aqui.  Imaginamos o inverno como uma paisagem branca como a que vemos em cartões natalinos, embora para nós, seres tropicais, o natal ocorra no verão. É a época de nos agasalharmos e, com ou sem lareira, dispendermos um bom tempo a olhar para trás relembrando bons momentos vividos na primavera e no verão.  Até mesmo o outono teve seus encantos. O branco do inverno também é belo. Como o branco que se apresenta em nossos cabelos e que muitas pessoas, principalmente mulheres, insistem em esconder por baixo de tintas e colorações diversas como uma negação ao tempo vivido. Como se tal coisa fosse possível. 

    Pois toda essa introdução pretensamente poética (ao menos, lírica) foi para comunicar a quem interessar possa, que só agora, com a chegada do outono deste ano corrente, dei-me conta de que para mim a dourada estação já na segunda metade está (a construção da frase lembrou-me Mestre Yoda. Por que será?). Percebi que me restam poucas folhas a cair e que o amarelo (ou dourado, se preferirem) já se espalha a minha volta com todo o seu esplendor e beleza. Ora! É preciso aproveitar essa paisagem bonita. E depressa. Antes que seja substituída pelo branco hibernal. Que tranqüilidade nos trás o outono! Que maneira sensível e deliciosa de sentir a vida, sem as ingenuidades da primavera e sem os arroubos do verão!

    As estações do ano, assim como os dias e as noites, se sucedem indefinidamente. Deste modo, é certo que, terminado o inverno, este será seguido por nova primavera. Será assim também em nossa evolução? Haverá a chance de outra primavera em um novo ano a se iniciar de alguma outra forma desconhecida? Há quem acredite nisso e é possível que a vida seja a repetição de um mesmo princípio em tudo o mais. Porém, ainda que seja verdadeira a possibilidade/esperança de que o ciclo se repita, a verdade que posso comprovar é que não poderei saborear outro outono com a mesma consciência que possuo neste. Motivo bastante para que me abandone ao sabor deste. Quero deliciar-me a caminhar pelos campos dourados, descobrindo segredos de galhos que se mostram nus, descobertos pela queda das folhas que os recobriam. E apreciar a temperatura amena que não é mais atordoante como o calor que sentia no verão, mas que ainda não é o frio que provavelmente sentirei no inverno, se a ele chegar. Enfim, acabo de descobrir a beleza do outono e a paz que com ele vem. Maravilhosa estação dourada!


Rio das Ostras, 27 de março de 2011.

             

2 comentários:

  1. Que forma gostosa de se perceber a passagem dos anos. Estou saindo do verão para entrar no outono. E estou amando esta nova estação.

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  2. Obrigada pelo comentário. Porém, acho que você ainda tem um bom período de fim de verão pela frente.

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