sábado, 21 de janeiro de 2012

Felinos

Les Chats
Les amoureux fervents et les savants austères
Aiment également, dans leur mûre saison,
Les chats puissants et doux, orgueil de la maison,
Qui comme eux sont frileux et comme eux sédentaires

Amis de la science et de la volupté
Ils cherchent le silence et l'horreur des ténèbres;
L'Erèbe les eût pris pour ses coursiers funèbres,
S'ils pouvaient au servage incliner leur fierté.

Ils prennent en songeant les nobles attitudes
Des grands sphinx allongés au fond des solitudes,
Qui semblent s'endormir dans un rêve sans fin;

Leurs reins féconds sont plein d'étincelles magiques
Et des parcelles d'or, ainsi qu'un sable fin,
Etoilent vaguement leurs prunelles mystiques.

Baudelaire, Les fleurs du mal




Felinos são lindos! Aprendi a amá-los não apenas porque são bonitinhos. Eles possuem muitas qualidades que somente quem tem a sorte de conviver com eles podem descobrir e observar. Agradeço às minhas gatinhas Paçoca, Vison e Alegria por terem me escolhido para me dar a honra de morar na minha casa.





No Antigo Egito os gatos eram adorados devido a sua associação com a Deusa da Lua, Pasht, de cujo nome acredita-se ser derivada a palavra "puss", que significa "bichano" em inglês. A Deusa Bast, que representa o sol, também foi identificada com gatos, e é retratada com a cabeça de um gato. Quando os gatos morriam, eram mumificados e seus donos mostravam seus sentimentos raspando as sobrancelhas em sinal de luto.
Hoje, os gatos da raça Abissínio, são semelhantes ao gatos do Antigo Egito. Estátuas, desenhos e pinturas em tumbas, revelam que os gatos nessa época, eram de pelo curto, corpo esguio e pernas longas. Muitos consideram que este foi o ancestral da maioria das raças de gatos domésticos conhecidas atualmente.
Era proibida a saída dos gatos do Egito, mas o povo Fenício parece ter os levado em suas embarcações comerciais, para a Europa, por volta do ano 900 a.C., chegando à Itália antes da Era Cristã.
Os romanos, quando invadiram e dominaram o Egito, adotaram o culto a Deusa Bast e seus gatos foram também perpetuados em estátuas, murais e mosaicos. Tinham grande apreciação pelos gatos, e os retratavam como símbolo de liberdade.
Na Idade Média, os gatos enfrentariam seus piores tempos. Surgiu um culto a uma deusa pagã - Freya - envolvendo gatos. Esse culto foi considerado heresia e membros desta seita eram punidos severamente com torturas e morte. Como os gatos faziam parte do culto, foram acusados de serem demoníacos, principalmente os de cor preta. Isso custou a vida de milhares de gatos, que foram cruelmente perseguidos, capturados e jogados à fogueira, havendo a maior destruição de gatos de toda a história.
Uma pessoa que fosse vista ajudando um gato, principalmente gatos pretos, estava sujeita a ser denunciada como bruxa e a sofrer tortura e morte.
As pessoas acusadas de bruxaria e seus gatos, eram logo responsabilizadas por qualquer catástrofe que acontecesse. Esta onda de perseguição criou diversas superstições que persistem até hoje, como: cruzar com gato preto causa azar. Felizmente este preconceito diminuiu e no século XIX o gato já era bem-visto.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Brumas, ainda que não sejam de Avalon

Brumas, neblina, nevoeiro. Se estamos dirigindo em uma auto-estrada, é um fenômeno climático que nos causa preocupação. Em tal situação é necessário ter prudência ao conduzir, já que a visibilidade não é boa.
Em nossa caminhada pela vida nem sempre as brumas escondem perigos ou precipícios porém prudência nunca é demais. Só não podemos confundir prudência com covardia. Vou reduzir a marcha, vou com cuidado, mas vou. Certamente, ao superar a neblina encontrarei um belo arco-íris e, quem sabe o que haverá over the rainbow?
Brumas são românticas, misteriosas, atiçam a imaginação. Há muitos anos atrás li os quatro volumes de "As Brumas de Avalon" escritos por Marion Zimer Bradley. Adorei! Até hoje a fada Morgana me fascina. A corte do Rei Artur tem uma magia especial para quem leu o romance.
Estou percebendo a estrada da vida encoberta pela bruma, mas isso não é desagradável. Ao contrário. Dá um toque de mistério e interesse. Estou me sentindo um pouco como a fada Morgana. Ou uma bruxa "boazinha" , se é que existem bruxas assim.