sexta-feira, 2 de novembro de 2012

JUST A BOTTLE. NOTHING ELSE



MENSAGEM NA GARRAFA ATIRADA AO MAR
MENSAGEM VIRTUAL
OCEANO VIRTUAL
PEDIDO DE SOCORRO
S.O.S.
SAVE OUR SOULS
ALGUÉM AÍ?

Ainda outro dia deparei-me com a imagem acima na internet. Achei a imagem interessante, já que atiçou-me a imaginação (ela andava um pouco preguiçosa ultimamente). A primeira ideia que me ocorreu foi um pedido de socorro. Provavelmente de um náufrago ou de um prisioneiro em alguma ilha isolada do resto do mundo. Claro; influência de estórias lidas na infância. Algo a ver com Robson Crusoe? Não sei. Já não me lembro. Entretanto, nada afasta a ideia que me ocorreu sobre ser um pedido de socorro. Último recurso de alguém desesperado. Um grito mudo lançado no vazio imenso.


A versão digital daquilo que tão magistralmente expressou Munch em sua famosa tela "O Grito". Bem, ocorreu-me uma outra tela do mesmo Munch que expressa desespero igual, porém, me é mais cara devido ao amor que dedico aos felinos. Vejam só:


Interessante observar a mudança ocorrida na forma, ou melhor, no meio utilizado para enviar a mensagem. Em outros tempos haveria um papel escrito dentro da garrafa; nos dias atuais haveria um pendrive. Mudou o mundo. Mudou a tecnologia. O homem não mudou. Ainda espera uma ajuda vinda não se sabe de onde. De outros mares? De outro continente? De outro planeta? De outros mundos? Estamos mesmo perdidos? Em que praia estamos? Mal conhecemos os segredos dos "mares" à nossa volta. Reflitam um pouco sobre a imagem a seguir:



Prosseguindo, e agora levando em conta nossa posição na imensidão do universo, é conhecido por todos o fato de que a humanidade, neste ato representada pela NASA, providenciou uma mensagem dirigida a eventuais alienígenas, contendo informações sobre nossa civilização e nossa localização na Via Láctea para o caso de desejarem fazer contato. Espero que não o façam. Não creio que haja vantagem para qualquer tipo de vida inteligente em fazer contato conosco. Embora tenhamos uma ou duas qualidades (a capacidade de amar é uma delas; a sensibilidade para perceber a beleza é outra, em minha modesta opinião), continuo achando que a humanidade é assim como uma erva daninha que ameaça se espalhar pelo jardim do cosmos.

Aliás, é pertinente e inspiradora a trilha sonora do filme "Odisséia no Espaço". Para quem não assistiu ao filme, a música chama-se "Assim falava Zaratustra". Quem quiser se aprofundar no assunto e filosofar, sugiram que leia Nietzche. Mas não é preciso tanto. Vamos viajar no tempo?



 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Para não dizer que não falei delas

Pois é. Muitos falaram por mim. Estou me referindo às figuras femininas. Considerei a forma como os artistas vêem a figura feminina nas diversas formas de arte. E por quê? Bem, ultimamente tem ocorrido a vários autores dar vida, através de romances a personagens da pintura clássica. E alguns obtiveram um êxito louvável. Chegarei lá. Primeiro vamos ver as mulheres com o olhar de diferentes artistas. Depois, quem sabe, nos atreveremos a olhar da forma que o fizeram?


MULHERES NA LITERATURA

Dois excelentes exemplos de personagens inesquecíveis na literatura. A mais
admirável delas na literatura clássica estrangeira, em minha modesta opinião de
leitora é Anna Karenina, de Leon Tolstoi. Na literatura brasileira, escolho Maria
Moura, personagem regionalista de Rachel de Queiroz.




Deixo ao encargo de quem quiser, fazer a sua própria seleção. Claro que não estão excluidos outros exemplos. 

MULHERES NO CINEMA

Alguém pode sugerir melhor exemplo de figura feminina inesquecível que Scarlet O'hara em  "E o Vento Levou" ? Mulher forte, determinada, e, por estranho que possa parecer, seu maior charme consiste justamente nos defeitos que tem. Claro que a criação da personagem é do autor, mas o cineasta Victor Fleming soube lhe dar as cores devidas, destacando o que ela tinha de melhor, sem falar na magnífica interpretação de Vivian Leigh.





MULHERES NA MÚSICA

Não faltam exemplos de composições musicais, clássicas ou populares que endeusam ou denigrem a imagem feminina. Porém, escolhi registrar aqui uma composição para piano de Bethoven chamada "Pour Elise". Tem tudo a ver com a alma feminina.

http://www.youtube.com/embed/LQTTFUtMSvQ?feature=player_embedded" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>
MULHERES NA PINTURA

Começarei por Goya porque li um romance bem interessante "Os Fantasmas de Goya" (não me lembro o autor, infelizmente) em que uma moça pintada por ele criou vida como uma de suas modelos que fora perseguida pela Santa Inquisição. Depois da leitura, nunca mais pude olhar aquela pintura da mesma forma. Vejam só. Aí está:


Porém, vale a pena acrescentar outras obras do mesmo pintor para demonstrar como ele via a figura feminina. Confiram:


Maja desnuda:

Maja vestida:

Há que se perceber que se trata da mesma mulher. Vale a pena recorrer ao Google para conhecer a história deste quadro.

Outro pintor, outra situação, e uma forma mais romântica de retratar a figura feminina. Renoir é conhecido pelas banhistas que costumava pintar. Aqui vão algumas como amostra.









Vejamos um pintor de outra época, outro estilo, outra visão artística da mulher. Modigliani.










Bem, chegamos à obra que motivou todo esse blá blá blá aqui. Estou lendo um romance da escritora americana Tracy Chevalier em que ela dá vida a uma modelo do pintor holandês Johannes Vernner, cujo título é o mesmo título do quadro: "Moça com Brinco de Pérola". O romance despertou minha imaginação de tal forma que fiquei a pensar, caso eu decidisse criar um personagem feminino com base em alguma tela famosa como o fizeram os autores que já citei, que pintor e que quadro eu escolheria. Mas isso é outra história. Vamos deixar para depois. Por enquanto, vejam a tela de Vernner "A moça do Brinco de´Pérola":



Então, vamos falar de outro pintor. Desta vez Botticelli, famoso por sua obra "O Nascimento de Vênus". E começaremos apresentando um detalhe desta mesma tela em que se pode apreciar a pureza das feições de Vênus, deusa mitológica do amor.



E agora outro detalhe, desta vez de outra obra chamada "Alegoria da Primavera":



E esta se chama Simonetta. Reparem no penteado:



Esta outra representa uma personagem bíblica: Salomé, com uma criada que leva a cabeça decepada de João Batista. Observem a sua expressão. Não é fotografia. É pintura.



E enfim, ainda tratando de Botticelli, chegamos à tela que eu escolheria para romancear e dar vida e história à personagem. Chama-se "Derelitta" que quer dizer abandonada. O desespero representado ali dá asas à imaginação do mais frio dos mortais, mas aceito sugestões sobre o tema. Aliás, peço mesmo que colaborem comigo enviando-me idéias a serem desenvolvidas para justificar tal desepero. Agradeço aos que participarem. Aí vai  a tela para lhes inspirar:






Beethoven - Fur elise

Beethoven - Fur elise

terça-feira, 17 de abril de 2012

SONHOS

Podem ser assim:



ou assim:

(assim também é muuuuuuito bom)


        Houve um tempo em que sonhar significava sempre ter pesadelos horríveis que me faziam acordar todos na casa com meus gritos. Meu inconsciente era mesmo povoado de sombras que transformavam minhas horas de sono em algo temível. O Dr. Freud certamente saberia explicar porque aranhas estavam quase sempre presentes nos meus sonhos. Havia também aquela sensação de estar acordada e consciente, porém, sem conseguir me mexer e ter a certeza de que morreria se não pudesse sair da letargia. Isso se prolongava até que pudesse gritar para que alguém me chamasse, me sacudisse, me fizesse despertar.
        Felizmente, isso não tem ocorrido ultimamente. Creio que fiz as pazes comigo mesma e o meu inconsciente já não me apavora tanto. Atualmente, sonho muito com meus filhos. Interessante é que sonho com eles como crianças adoráveis que foram e não como os adultos que são agora. Talvez seja saudade do tempo em que estavam sempre ao meu redor. Hoje eles continuam fazendo parte de mim mas eu já não faço parte deles. Por isso recorro aos sonhos, onde posso tê-los o mais próximo possível sem ter que dividi-los com noras, genros, netos, amigos, sei lá. O que sei é que meus filhos são presença constante nos meus sonhos.
        Mas falemos de sonhos de modo genérico. Não quero discorrer sobre particularidades.

Vejam a seguinte imagem:


        É a apresentação do filme "DREAMS"  de Akira Kurosawa. É, na minha opinião, a obra prima de um grande artista. Considero-o o Shakespeare da  sétima arte. O filme é composto por oito episódios nos quais são mostrados através de uma simbologia fantasiosa, exatamente como ocorre em nossos sonhos, os traumas e temores da espécie humana acumulados ao longo da história, porém bastante atuais. São 8 episódios em que sempre começam com os dizeres em japonês: ”konna yume wo mita” (vi um sonho assim), que mostra um Kurosawa questionando as grandes preocupações da psique humana que nos atormentam.


         Esta é a imagem correspondente ao primeiro episódio, se não me engano. O "casamento da raposa" está relacionado ao medo que nos foi incutido através da culpa por algo que não deveria ter sido feito, cuja punição nos assusta continuamente. Na cultura ocidental cristã este sentimento está representado pelo mito do pecado original. Pecamos ao comer a maçã e sofremos agora as consequências.  O filme representa isso na lenda de que o ritual de acasalamento das raposas em dias de sol e chuva seria proibido aos nossos olhos e o menino assiste à cena proibida, devendo pagar sua ousadia com a morte.
-x-x-x-x-x-x-x-


         Outra cena; outro episódio: "O TÚNEL"  Ali o sonhador tem que enfrentar sua culpa pessoal aceitando a responsabilidade por seus atos. Interessante observar o efeito sonoro dos passos dentro do túnel. Kurosawa é um gênio!
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-



         Outro episódio digno de comentário é "A NEVASCA" . Quem viu o filme lembra que nestas cenas chegamos mesmo a sentir frio, tal é a força das imagens. O som da respiração difícil contribui para vivenciarmos a situação. Aqui a ideia da morte é apresentada não com horror, mas com fascínio. Lindo!
---x-x--x-x-x-x-x-x-x---



         A cena acima se refere à angústia que vivenciamos por conviver com os riscos que nós próprios, como seres "inteligentes" criamos. O perigo nuclear. Claro, não pensamos nisso durante a maior parte do tempo, mas a angústia e o medo estão presentes em nosso inconsciente coletivo.

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-


       Este é o "POVOADO DOS MOINHOS"  que finaliza o filme "SONHOS".  Kurosawa nos faz ver o ridículo da nossa civilização consumista. O quanto são inúteis as nossas "necessidades". Ali podemos ver uma vida alternativa saudável e feliz que já não está mais ao nosso alcance porque nos habituamos a valores que não correspondem às nossas necessidades.

       Agora deixemos o grande cineasta japonês de lado e voltemos a falar de sonhos genericamente. Tomemos a imagem a seguir:


        Que tal a caravana? Sentiram o ambiente? Não vou descrevê-lo. Observem a imagem. Guardem-na bem no fundo da retina. Deixem que ela se instale no inconsciente e esperem a noite para sonhar. O resultado poderá resultar em uma bela crônica.


        E o que dizer dos pesadelos? Não gosto desta palavra. Não é esnobismo, não, mas prefiro a palavra francesa cauchemar. Pesadelo não é uma palavra bonita e soa mal. É uma palavra incômoda mesmo. Mas existem muitas palavras em português que eu adoro. Lágrima, por exemplo, é uma palavra que eu amo, embroa não goste de chorar. Mas passemos às imagens.


Eugène Thivier (1845-1920) Le cauchemar, marbre blanc. Musée des Augustins, Toulouse, France

Bem sugestivo o pesadelo acima, não é?

E vejam mais este:


E mais este:


           As duas últimas imagens se referem à lenda cujos personagens diabólicos são Sucubus e Incubus. São entidades que se aproximam das pessoas durante o sono, deitam junto e sugam a energia vital daquele que está dormindo. Será que as palavras "sucumbência"  e  "incumbência" vem daí? Quem sabe? Vale a pena dar uma olhada no google e pesquisar mais sobre esses estranhos personagens mitológicos.


           Por fim, creio que uma bonita forma de encerrar o tema, seria um bonito trecho da literatura clássica sobre o tema. Aí vai:

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.

"Sonhos de Uma noite de Verão"

                William Shakespeare










terça-feira, 20 de março de 2012

OUTONO

Ora! Não é que estamos novamente no outono? Nem percebi o passar das outras estações! Mentira. Senti passar o verão. Não me sinto bem no calor excessivo. Estou aliviada em recepcionar mais um outono. Para não me repetir, vou acrescentar aqui uma crônica que escrevi há um ano atrás sobre esta estação. A seguir, acrescentarei a visão do poeta Robert Frost (muito amado) sobre o tema. Claro que não poderia faltar a parte do outono contida na obra de Vivaldi (também muito amado) "As estações". Esta última, trouxe através do youtube.



OUTONO OUTRA VEZ




    Nasci no outono. Esta é a razão por que conto minha idade pelos outonos vividos e não pelas primaveras, como a maioria das pessoas. Não é pessimismo. Nem assim deveria ser interpretado já que o outono é uma estação lindíssima.

    É freqüente (desculpem. Meu computador não se conforma com a perda do trema. Eu também não) a associação entre as estações do ano e o decorrer da vida de cada um.  Nesse sentido, a primavera corresponde à infância e à adolescência quando, de fato, as pessoas desabrocham para a vida. Não estão prontas ainda. São como pequenos botões prestes a se abrir em flor. Prosseguindo o raciocínio, o verão corresponde à idade adulta quando tudo é demais. O calor é demais; a intensidade da chuva é demais; a alegria é demais; o trabalho é demais; a paixão é demais.

    Perceberam a pausa antes do outono? Até mudei o parágrafo. E não o fiz apenas porque o anterior estava ficando muito longo.  O verão nos atordoa tanto que custamos a nos dar conta de que ele acabou. Por fim, percebemos aos poucos. Já não faz tanto calor. As folhas das árvores começam a cair. Uma paisagem dourada se estabelece por conta da tonalidade das folhas. Robert Frost, conhecido poeta americano tem um poema em que afirma “nada que é dourado se prolonga”. Também Verlaine se manifestou sobre a beleza e a efemeridade do outono. Não é que seja mais curto literalmente. Prolonga-se por três meses, como os outros. Entretanto, só o percebemos como estágio de vida quando já se aproxima a próxima estação. E sobre esta falaremos em seguida.

    E chega o inverno. E com ele o frio. Dependendo da posição geográfica, também a neve. Não chegamos a tanto por aqui.  Imaginamos o inverno como uma paisagem branca como a que vemos em cartões natalinos, embora para nós, seres tropicais, o natal ocorra no verão. É a época de nos agasalharmos e, com ou sem lareira, dispendermos um bom tempo a olhar para trás relembrando bons momentos vividos na primavera e no verão.  Até mesmo o outono teve seus encantos. O branco do inverno também é belo. Como o branco que se apresenta em nossos cabelos e que muitas pessoas, principalmente mulheres, insistem em esconder por baixo de tintas e colorações diversas como uma negação ao tempo vivido. Como se tal coisa fosse possível. 

    Pois toda essa introdução pretensamente poética (ao menos, lírica) foi para comunicar a quem interessar possa, que só agora, com a chegada do outono deste ano corrente, dei-me conta de que para mim a dourada estação já na segunda metade está (a construção da frase lembrou-me Mestre Yoda. Por que será?). Percebi que me restam poucas folhas a cair e que o amarelo (ou dourado, se preferirem) já se espalha a minha volta com todo o seu esplendor e beleza. Ora! É preciso aproveitar essa paisagem bonita. E depressa. Antes que seja substituída pelo branco hibernal. Que tranqüilidade nos trás o outono! Que maneira sensível e deliciosa de sentir a vida, sem as ingenuidades da primavera e sem os arroubos do verão!

    As estações do ano, assim como os dias e as noites, se sucedem indefinidamente. Deste modo, é certo que, terminado o inverno, este será seguido por nova primavera. Será assim também em nossa evolução? Haverá a chance de outra primavera em um novo ano a se iniciar de alguma outra forma desconhecida? Há quem acredite nisso e é possível que a vida seja a repetição de um mesmo princípio em tudo o mais. Porém, ainda que seja verdadeira a possibilidade/esperança de que o ciclo se repita, a verdade que posso comprovar é que não poderei saborear outro outono com a mesma consciência que possuo neste. Motivo bastante para que me abandone ao sabor deste. Quero deliciar-me a caminhar pelos campos dourados, descobrindo segredos de galhos que se mostram nus, descobertos pela queda das folhas que os recobriam. E apreciar a temperatura amena que não é mais atordoante como o calor que sentia no verão, mas que ainda não é o frio que provavelmente sentirei no inverno, se a ele chegar. Enfim, acabo de descobrir a beleza do outono e a paz que com ele vem. Maravilhosa estação dourada!


Rio das Ostras, 27 de março de 2011.

             

El Otoño - Antonio Vivaldi ( Autumn Allegro) interpretación: Anne-Sop...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

MÁSCARAS



O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
Dando a Arlequim meu corpo
e a Pierrô, minha alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu... outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar
e, em verdade, toda razão do amor
está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!

                   Menotti Del Pichia


 

O tema é oportuno por estarmos às vésperas do carnaval. E a poesia é linda. Através do conhecido drama de Colombina, indecisa em escolher Pierrot ou Arlequim, o destaque é para as duas faces do amor de uma mulher. O amor romântico e o amor físico que, na maioria das vezes não se apresentam juntos em uma mesma figura masculina. Toda mulher, em alguma fase da sua vida, conheceu o drama da dúvida.



Bom carnaval.
17 de fevereiro de 2012.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Felinos

Les Chats
Les amoureux fervents et les savants austères
Aiment également, dans leur mûre saison,
Les chats puissants et doux, orgueil de la maison,
Qui comme eux sont frileux et comme eux sédentaires

Amis de la science et de la volupté
Ils cherchent le silence et l'horreur des ténèbres;
L'Erèbe les eût pris pour ses coursiers funèbres,
S'ils pouvaient au servage incliner leur fierté.

Ils prennent en songeant les nobles attitudes
Des grands sphinx allongés au fond des solitudes,
Qui semblent s'endormir dans un rêve sans fin;

Leurs reins féconds sont plein d'étincelles magiques
Et des parcelles d'or, ainsi qu'un sable fin,
Etoilent vaguement leurs prunelles mystiques.

Baudelaire, Les fleurs du mal




Felinos são lindos! Aprendi a amá-los não apenas porque são bonitinhos. Eles possuem muitas qualidades que somente quem tem a sorte de conviver com eles podem descobrir e observar. Agradeço às minhas gatinhas Paçoca, Vison e Alegria por terem me escolhido para me dar a honra de morar na minha casa.





No Antigo Egito os gatos eram adorados devido a sua associação com a Deusa da Lua, Pasht, de cujo nome acredita-se ser derivada a palavra "puss", que significa "bichano" em inglês. A Deusa Bast, que representa o sol, também foi identificada com gatos, e é retratada com a cabeça de um gato. Quando os gatos morriam, eram mumificados e seus donos mostravam seus sentimentos raspando as sobrancelhas em sinal de luto.
Hoje, os gatos da raça Abissínio, são semelhantes ao gatos do Antigo Egito. Estátuas, desenhos e pinturas em tumbas, revelam que os gatos nessa época, eram de pelo curto, corpo esguio e pernas longas. Muitos consideram que este foi o ancestral da maioria das raças de gatos domésticos conhecidas atualmente.
Era proibida a saída dos gatos do Egito, mas o povo Fenício parece ter os levado em suas embarcações comerciais, para a Europa, por volta do ano 900 a.C., chegando à Itália antes da Era Cristã.
Os romanos, quando invadiram e dominaram o Egito, adotaram o culto a Deusa Bast e seus gatos foram também perpetuados em estátuas, murais e mosaicos. Tinham grande apreciação pelos gatos, e os retratavam como símbolo de liberdade.
Na Idade Média, os gatos enfrentariam seus piores tempos. Surgiu um culto a uma deusa pagã - Freya - envolvendo gatos. Esse culto foi considerado heresia e membros desta seita eram punidos severamente com torturas e morte. Como os gatos faziam parte do culto, foram acusados de serem demoníacos, principalmente os de cor preta. Isso custou a vida de milhares de gatos, que foram cruelmente perseguidos, capturados e jogados à fogueira, havendo a maior destruição de gatos de toda a história.
Uma pessoa que fosse vista ajudando um gato, principalmente gatos pretos, estava sujeita a ser denunciada como bruxa e a sofrer tortura e morte.
As pessoas acusadas de bruxaria e seus gatos, eram logo responsabilizadas por qualquer catástrofe que acontecesse. Esta onda de perseguição criou diversas superstições que persistem até hoje, como: cruzar com gato preto causa azar. Felizmente este preconceito diminuiu e no século XIX o gato já era bem-visto.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Brumas, ainda que não sejam de Avalon

Brumas, neblina, nevoeiro. Se estamos dirigindo em uma auto-estrada, é um fenômeno climático que nos causa preocupação. Em tal situação é necessário ter prudência ao conduzir, já que a visibilidade não é boa.
Em nossa caminhada pela vida nem sempre as brumas escondem perigos ou precipícios porém prudência nunca é demais. Só não podemos confundir prudência com covardia. Vou reduzir a marcha, vou com cuidado, mas vou. Certamente, ao superar a neblina encontrarei um belo arco-íris e, quem sabe o que haverá over the rainbow?
Brumas são românticas, misteriosas, atiçam a imaginação. Há muitos anos atrás li os quatro volumes de "As Brumas de Avalon" escritos por Marion Zimer Bradley. Adorei! Até hoje a fada Morgana me fascina. A corte do Rei Artur tem uma magia especial para quem leu o romance.
Estou percebendo a estrada da vida encoberta pela bruma, mas isso não é desagradável. Ao contrário. Dá um toque de mistério e interesse. Estou me sentindo um pouco como a fada Morgana. Ou uma bruxa "boazinha" , se é que existem bruxas assim.